Pular para o conteúdo
Lista da Obra

Guia de compra

Porcelanato ou cerâmica: qual escolher

A diferença entre porcelanato e cerâmica está na massa da peça: o porcelanato quase não absorve água, por isso é mais resistente e serve em mais lugares. Veja quando ele vale o preço e quando a cerâmica resolve.

Por Equipe Lista da Obra · Atualizado em · Como calculamos

Qual a diferença entre porcelanato e cerâmica

Os dois são placas cerâmicas: argila e outros minerais prensados e queimados em forno. O porcelanato usa uma massa mais fina, com feldspato, e é queimado a temperaturas mais altas (acima de 1.200 °C). O resultado é uma peça compacta, que absorve no máximo 0,5% do próprio peso em água. A cerâmica comum tem uma massa mais porosa, chamada biscoito, com absorção de 3% a mais de 10%, coberta por uma camada de esmalte.

Corte de porcelanato técnico, porcelanato esmaltado e cerâmica Três peças vistas em corte. O porcelanato técnico tem a massa compacta e igual em toda a espessura, sem esmalte. O porcelanato esmaltado tem massa compacta e uma camada de esmalte por cima. A cerâmica esmaltada tem uma camada de esmalte sobre uma massa porosa, cheia de pequenos vazios. Porcelanato técnico absorção até 0,1% massa igual de cima a baixo massa compacta Porcelanato esmaltado absorção até 0,5% esmalte + massa massa compacta Cerâmica esmaltada absorção de 3% a mais de 10% esmalte + massa massa porosa (biscoito)
No porcelanato técnico a cor e a massa são iguais em toda a espessura. Na cerâmica e no porcelanato esmaltado, o desenho está só no esmalte.

Menos poros significa peça mais resistente a impacto, a manchas e ao gelo, e que pode ir para área externa. Por outro lado, o porcelanato é mais duro de cortar, mais pesado e exige argamassa melhor.

  • Porcelanato técnico: sem esmalte, massa homogênea. Absorção de até 0,1%, pelo critério da antiga NBR 15463 que o mercado ainda usa. Se lascar, a cor de baixo é a mesma.
  • Porcelanato esmaltado: massa de porcelanato com esmalte por cima, o que permite imitar madeira, mármore e cimento. É o mais vendido para casas.
  • Cerâmica: massa porosa e esmalte. Mais leve, mais barata e fácil de cortar.

Absorção de água: o número que separa os dois

A classificação oficial não usa os nomes "porcelanato" e "cerâmica", e sim grupos de absorção de água. As fichas técnicas atuais seguem a ABNT NBR ISO 13006, de 2020, que substituiu as NBR 13817 e 13818 e também a NBR 15463, a norma específica do porcelanato. Em catálogos antigos você ainda verá essas normas. A NBR 15463 separava o porcelanato técnico (absorção até 0,1%) do esmaltado (até 0,5%), e muitos fabricantes continuam usando essa divisão.

Grupos de absorção de água das placas cerâmicas Escala horizontal da menor para a maior absorção de água. Grupo BIa, até 0,5%, é o porcelanato. BIb, de 0,5 a 3%, é o grês. BIIa, de 3 a 6%, é o semigrês. BIIb, de 6 a 10%, é o semiporoso. BIII, acima de 10%, é o poroso, usado como revestimento de parede. Uma chave abaixo dos dois primeiros grupos indica baixa absorção, que pede rejunte tipo II; outra abaixo dos três últimos indica cerâmica comum. menos água absorvida mais água absorvida BIa até 0,5% porcelanato BIb 0,5 a 3% grês BIIa 3 a 6% semigrês BIIb 6 a 10% semiporoso BIII acima de 10% poroso baixa absorção AC-II ou AC-III, rejunte tipo II cerâmica comum pisos (BII) e azulejos de parede (BIII)
Quanto mais à esquerda, mais compacta a peça. O porcelanato está no grupo BIa; azulejos de parede, no BIII.
Grupos de absorção de água (placas prensadas, NBR ISO 13006)
GrupoAbsorção de águaNome comercialUso típico
BIaaté 0,5%PorcelanatoPiso e parede, interno e externo, inclusive áreas de tráfego intenso
BIb0,5% a 3%GrêsPiso interno e externo
BIIa3% a 6%SemigrêsPiso residencial interno
BIIb6% a 10%SemiporosoPiso interno de tráfego leve e parede
BIIIacima de 10%Poroso (azulejo, revestimento)Só parede interna

O grupo vem na caixa ou na ficha técnica. Para placas extrudadas (lajotas, por exemplo) a norma usa os grupos A, com as mesmas faixas.

PEI: a resistência ao desgaste

O PEI mede quanto o esmalte resiste ao desgaste por atrito, como o de areia trazida no sapato. Vai de 0 a 5. Ele vale para peças esmaltadas — cerâmica e porcelanato esmaltado. Um PEI baixo na cozinha ou na entrada da casa fica fosco e marcado em poucos anos.

Classes PEI de resistência à abrasão superficial (placas esmaltadas)
ClasseTráfegoOnde usar
PEI 0—Só parede
PEI 1Muito leve, sem sapatoBanheiro e quarto de casa, sem acesso direto à rua
PEI 2LeveCômodos de casa sem porta para a rua, exceto cozinha
PEI 3MédioToda a casa, inclusive cozinha, sala e corredor
PEI 4AltoCasa com acesso direto da rua, garagem, loja e restaurante
PEI 5Muito altoShopping, aeroporto, áreas públicas e comércio movimentado

O ensaio é o da NBR ISO 10545-7. Porcelanato técnico (sem esmalte) não recebe PEI: ele é avaliado pela abrasão profunda (NBR ISO 10545-6) e serve para tráfego intenso.

PEI não é dureza contra impacto nem garantia contra riscos de móveis arrastados. Use feltro nos pés das cadeiras em qualquer piso.

Retificado, bold e acabamentos

Retificado é a peça que tem as bordas cortadas depois de queimada, ficando com medida exata e cantos retos. Permite junta fina: as fichas técnicas pedem de 1 a 2 mm, conforme o modelo. A peça bold (borda natural, levemente arredondada) varia mais de tamanho e pede junta maior, em geral de 2 a 3 mm ou mais. Existe cerâmica retificada e porcelanato bold: o termo fala da borda, não do material.

  • Polido: brilho de espelho. Bonito em sala, mas escorrega molhado e mostra riscos. Não use em box, área externa ou entrada da casa.
  • Acetinado ou natural: fosco ou com brilho suave. O mais versátil para casas.
  • Externo ou antiderrapante: superfície áspera, para quintal, varanda descoberta, garagem e beira de piscina.

Onde usar cada um

Porcelanato ou cerâmica em cada ambiente
AmbienteCerâmicaPorcelanatoO que observar
Sala e quartosim (PEI 2 ou mais)simPolido ou acetinado, como preferir
Cozinhasim (PEI 3 ou mais)simAcabamento fosco esconde melhor gordura e riscos
Banheiro e boxsim (PEI 2 ou mais)simNada de polido no chão do box: escorrega molhado
Parede de banheiro e cozinhasim (revestimento BIII)simPorcelanato maior que 60 × 60 cm na parede pede AC-III e dupla colagem
Varanda, quintal e garagemsó PEI 4, para área externasim, externoAntiderrapante; argamassa AC-II na cerâmica e AC-III no porcelanato
Comércio movimentadoPEI 5sim, técnicoPrefira porcelanato técnico ou esmaltado de alta resistência

Para área molhada e externa, procure na ficha técnica o coeficiente de atrito molhado de 0,4 ou mais (ensaio da NBR 16919).

Na prática: dentro de casa, uma boa cerâmica de PEI 3 ou 4 resolve quase tudo e custa menos. O porcelanato se paga em área externa, em peças grandes com junta fina (que dão aspecto contínuo), em comércio e onde você quer que o piso dure décadas sem desgaste.

Preço, argamassa e assentamento

O porcelanato custa mais por m² e também na instalação. Como ordem de grandeza, em grandes lojas em 2026 havia revestimento cerâmico de parede por cerca de R$ 30 o m², porcelanato 60×60 de entrada por cerca de R$ 50 o m² e grandes formatos (90×90, 60×120) de R$ 90 a mais de R$ 200 o m². Os preços mudam muito por região, linha e promoção: use esses números só para comparar.

  • Argamassa colante: cerâmica em área interna aceita AC-I; para porcelanato, os fabricantes de argamassa indicam em geral AC-II em área interna e AC-III em área externa e em peças grandes (o limite de tamanho varia por produto: confira a embalagem; a calculadora indica AC-III acima de 60 × 60 cm). Veja o guia AC-I, AC-II e AC-III.
  • Dupla colagem: para peças a partir de 900 cm² (30 × 30 cm ou maiores), espalhe argamassa na base e no verso da peça. A NBR 13753 fala em placas acima de 900 cm² e alguns fabricantes já incluem o 30 × 30; o site segue a regra mais segura. Isso aumenta o consumo de argamassa.
  • Rejunte: pela NBR 14992, placas com absorção de até 3% (porcelanato e grês) pedem rejunte cimentício tipo II.
  • Mão de obra: peças grandes exigem contrapiso bem nivelado, niveladores de peça e cortadora adequada. Muitos assentadores cobram mais por m² para porcelanato de grande formato.

Vai trocar piso e parede de um cômodo inteiro? Os planejadores de reforma do banheiro e da cozinha somam piso, revestimento, argamassa e rejunte numa lista só.

Calcule quantas caixas de piso comprar Calcule a argamassa colante Calcule o rejunte

Erros comuns na escolha

  • Porcelanato polido no banheiro: o box molhado fica perigoso. Use acetinado ou natural.
  • Cerâmica de PEI 2 na cozinha: o tráfego e a gordura com areia gastam o esmalte. Na cozinha, PEI 3 no mínimo.
  • Piso interno na área externa: sol, chuva e sujeira pedem peça para uso externo, antiderrapante.
  • Comprar pelo nome da medida: o tamanho real e os m² da caixa variam por fabricante. Faça a conta com o número da embalagem e some a perda — veja quanto de perda considerar.
  • Não guardar sobra: guarde ao menos algumas peças do mesmo lote para trocar uma peça quebrada no futuro.

Fontes

  • ABNT NBR ISO 13006 — Placas cerâmicas: definições, classificação, características e marcação — grupos de absorção de água.
  • ABNT NBR ISO 10545 — Placas cerâmicas (partes 3, 6 e 7) — ensaios de absorção de água, abrasão profunda e abrasão superficial (PEI).
  • ABNT NBR 15463 — Placas cerâmicas para revestimento: porcelanato — substituída em dezembro de 2020; origem da divisão entre porcelanato técnico (até 0,1%) e esmaltado (até 0,5%).
  • ABNT NBR 13753 — Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante — dupla colagem para placas acima de 900 cm².
  • ABNT NBR 16919 — Placas cerâmicas: determinação do coeficiente de atrito — método de ensaio do coeficiente de atrito dinâmico de pisos.
  • ABNT NBR 14992 — Argamassa à base de cimento Portland para rejuntamento de placas cerâmicas — rejunte tipo I e tipo II.
  • Fichas técnicas de porcelanato (Eliane, Portobello, Villagres) e preços do varejo nacional (2026) — junta mínima de 1 a 2 mm em retificados; faixas de preço aproximadas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre porcelanato e cerâmica?

O porcelanato tem massa mais compacta e absorve no máximo 0,5% de água; a cerâmica tem massa porosa, com absorção de 3% a mais de 10%. Por isso o porcelanato é mais resistente e pode ir para área externa, mas custa mais e exige argamassa melhor.

O que é melhor para piso de casa: porcelanato ou cerâmica?

Para áreas internas, uma cerâmica de PEI 3 ou 4 atende bem e custa menos. Prefira porcelanato em área externa, em peças grandes com junta fina ou quando quiser um piso mais durável.

Como saber se o piso é porcelanato?

Veja na caixa ou na ficha técnica o grupo de absorção: porcelanato é o grupo BIa, com absorção até 0,5%. Numa peça quebrada, o porcelanato mostra massa compacta, sem poros visíveis; a cerâmica mostra um biscoito poroso, em geral avermelhado ou bege, sob o esmalte.

Qual PEI usar na cozinha?

PEI 3 no mínimo em cozinha residencial. Se a cozinha tiver porta direto para o quintal ou a rua, use PEI 4.

Qual a junta mínima do porcelanato retificado?

De 1 a 2 mm, conforme o modelo. Peças não retificadas (bold) pedem a partir de 2 a 3 mm. A medida certa vem impressa na caixa.

Continue o planejamento