Qual a diferença entre porcelanato e cerâmica
Os dois são placas cerâmicas: argila e outros minerais prensados e queimados em forno. O porcelanato usa uma massa mais fina, com feldspato, e é queimado a temperaturas mais altas (acima de 1.200 °C). O resultado é uma peça compacta, que absorve no máximo 0,5% do próprio peso em água. A cerâmica comum tem uma massa mais porosa, chamada biscoito, com absorção de 3% a mais de 10%, coberta por uma camada de esmalte.
Menos poros significa peça mais resistente a impacto, a manchas e ao gelo, e que pode ir para área externa. Por outro lado, o porcelanato é mais duro de cortar, mais pesado e exige argamassa melhor.
- Porcelanato técnico: sem esmalte, massa homogênea. Absorção de até 0,1%, pelo critério da antiga NBR 15463 que o mercado ainda usa. Se lascar, a cor de baixo é a mesma.
- Porcelanato esmaltado: massa de porcelanato com esmalte por cima, o que permite imitar madeira, mármore e cimento. É o mais vendido para casas.
- Cerâmica: massa porosa e esmalte. Mais leve, mais barata e fácil de cortar.
Absorção de água: o número que separa os dois
A classificação oficial não usa os nomes "porcelanato" e "cerâmica", e sim grupos de absorção de água. As fichas técnicas atuais seguem a ABNT NBR ISO 13006, de 2020, que substituiu as NBR 13817 e 13818 e também a NBR 15463, a norma específica do porcelanato. Em catálogos antigos você ainda verá essas normas. A NBR 15463 separava o porcelanato técnico (absorção até 0,1%) do esmaltado (até 0,5%), e muitos fabricantes continuam usando essa divisão.
| Grupo | Absorção de água | Nome comercial | Uso típico |
|---|---|---|---|
| BIa | até 0,5% | Porcelanato | Piso e parede, interno e externo, inclusive áreas de tráfego intenso |
| BIb | 0,5% a 3% | Grês | Piso interno e externo |
| BIIa | 3% a 6% | Semigrês | Piso residencial interno |
| BIIb | 6% a 10% | Semiporoso | Piso interno de tráfego leve e parede |
| BIII | acima de 10% | Poroso (azulejo, revestimento) | Só parede interna |
O grupo vem na caixa ou na ficha técnica. Para placas extrudadas (lajotas, por exemplo) a norma usa os grupos A, com as mesmas faixas.
PEI: a resistência ao desgaste
O PEI mede quanto o esmalte resiste ao desgaste por atrito, como o de areia trazida no sapato. Vai de 0 a 5. Ele vale para peças esmaltadas — cerâmica e porcelanato esmaltado. Um PEI baixo na cozinha ou na entrada da casa fica fosco e marcado em poucos anos.
| Classe | Tráfego | Onde usar |
|---|---|---|
| PEI 0 | — | Só parede |
| PEI 1 | Muito leve, sem sapato | Banheiro e quarto de casa, sem acesso direto à rua |
| PEI 2 | Leve | Cômodos de casa sem porta para a rua, exceto cozinha |
| PEI 3 | Médio | Toda a casa, inclusive cozinha, sala e corredor |
| PEI 4 | Alto | Casa com acesso direto da rua, garagem, loja e restaurante |
| PEI 5 | Muito alto | Shopping, aeroporto, áreas públicas e comércio movimentado |
O ensaio é o da NBR ISO 10545-7. Porcelanato técnico (sem esmalte) não recebe PEI: ele é avaliado pela abrasão profunda (NBR ISO 10545-6) e serve para tráfego intenso.
PEI não é dureza contra impacto nem garantia contra riscos de móveis arrastados. Use feltro nos pés das cadeiras em qualquer piso.
Retificado, bold e acabamentos
Retificado é a peça que tem as bordas cortadas depois de queimada, ficando com medida exata e cantos retos. Permite junta fina: as fichas técnicas pedem de 1 a 2 mm, conforme o modelo. A peça bold (borda natural, levemente arredondada) varia mais de tamanho e pede junta maior, em geral de 2 a 3 mm ou mais. Existe cerâmica retificada e porcelanato bold: o termo fala da borda, não do material.
- Polido: brilho de espelho. Bonito em sala, mas escorrega molhado e mostra riscos. Não use em box, área externa ou entrada da casa.
- Acetinado ou natural: fosco ou com brilho suave. O mais versátil para casas.
- Externo ou antiderrapante: superfície áspera, para quintal, varanda descoberta, garagem e beira de piscina.
Onde usar cada um
| Ambiente | Cerâmica | Porcelanato | O que observar |
|---|---|---|---|
| Sala e quarto | sim (PEI 2 ou mais) | sim | Polido ou acetinado, como preferir |
| Cozinha | sim (PEI 3 ou mais) | sim | Acabamento fosco esconde melhor gordura e riscos |
| Banheiro e box | sim (PEI 2 ou mais) | sim | Nada de polido no chão do box: escorrega molhado |
| Parede de banheiro e cozinha | sim (revestimento BIII) | sim | Porcelanato maior que 60 × 60 cm na parede pede AC-III e dupla colagem |
| Varanda, quintal e garagem | só PEI 4, para área externa | sim, externo | Antiderrapante; argamassa AC-II na cerâmica e AC-III no porcelanato |
| Comércio movimentado | PEI 5 | sim, técnico | Prefira porcelanato técnico ou esmaltado de alta resistência |
Para área molhada e externa, procure na ficha técnica o coeficiente de atrito molhado de 0,4 ou mais (ensaio da NBR 16919).
Na prática: dentro de casa, uma boa cerâmica de PEI 3 ou 4 resolve quase tudo e custa menos. O porcelanato se paga em área externa, em peças grandes com junta fina (que dão aspecto contínuo), em comércio e onde você quer que o piso dure décadas sem desgaste.
Preço, argamassa e assentamento
O porcelanato custa mais por m² e também na instalação. Como ordem de grandeza, em grandes lojas em 2026 havia revestimento cerâmico de parede por cerca de R$ 30 o m², porcelanato 60×60 de entrada por cerca de R$ 50 o m² e grandes formatos (90×90, 60×120) de R$ 90 a mais de R$ 200 o m². Os preços mudam muito por região, linha e promoção: use esses números só para comparar.
- Argamassa colante: cerâmica em área interna aceita AC-I; para porcelanato, os fabricantes de argamassa indicam em geral AC-II em área interna e AC-III em área externa e em peças grandes (o limite de tamanho varia por produto: confira a embalagem; a calculadora indica AC-III acima de 60 × 60 cm). Veja o guia AC-I, AC-II e AC-III.
- Dupla colagem: para peças a partir de 900 cm² (30 × 30 cm ou maiores), espalhe argamassa na base e no verso da peça. A NBR 13753 fala em placas acima de 900 cm² e alguns fabricantes já incluem o 30 × 30; o site segue a regra mais segura. Isso aumenta o consumo de argamassa.
- Rejunte: pela NBR 14992, placas com absorção de até 3% (porcelanato e grês) pedem rejunte cimentício tipo II.
- Mão de obra: peças grandes exigem contrapiso bem nivelado, niveladores de peça e cortadora adequada. Muitos assentadores cobram mais por m² para porcelanato de grande formato.
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- Porcelanato polido no banheiro: o box molhado fica perigoso. Use acetinado ou natural.
- Cerâmica de PEI 2 na cozinha: o tráfego e a gordura com areia gastam o esmalte. Na cozinha, PEI 3 no mínimo.
- Piso interno na área externa: sol, chuva e sujeira pedem peça para uso externo, antiderrapante.
- Comprar pelo nome da medida: o tamanho real e os m² da caixa variam por fabricante. Faça a conta com o número da embalagem e some a perda — veja quanto de perda considerar.
- Não guardar sobra: guarde ao menos algumas peças do mesmo lote para trocar uma peça quebrada no futuro.
Fontes
- ABNT NBR ISO 13006 — Placas cerâmicas: definições, classificação, características e marcação — grupos de absorção de água.
- ABNT NBR ISO 10545 — Placas cerâmicas (partes 3, 6 e 7) — ensaios de absorção de água, abrasão profunda e abrasão superficial (PEI).
- ABNT NBR 15463 — Placas cerâmicas para revestimento: porcelanato — substituída em dezembro de 2020; origem da divisão entre porcelanato técnico (até 0,1%) e esmaltado (até 0,5%).
- ABNT NBR 13753 — Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante — dupla colagem para placas acima de 900 cm².
- ABNT NBR 16919 — Placas cerâmicas: determinação do coeficiente de atrito — método de ensaio do coeficiente de atrito dinâmico de pisos.
- ABNT NBR 14992 — Argamassa à base de cimento Portland para rejuntamento de placas cerâmicas — rejunte tipo I e tipo II.
- Fichas técnicas de porcelanato (Eliane, Portobello, Villagres) e preços do varejo nacional (2026) — junta mínima de 1 a 2 mm em retificados; faixas de preço aproximadas.