Fio e disjuntor do ar de 9.000 BTUs em 220 V: inverter e convencional
Em 220 V o split de 9.000 BTU/h é o circuito mais leve que um ar residencial pode ter: 6 A de corrente máxima no inverter e 5 A no convencional. A conta dá 7,5 A de projeto e cai no disjuntor de 10 A, o menor usado em circuito de força. O manual de muitos modelos pede 16 A; com o cabo de 2,5 mm², que aguenta 24 A, os dois são seguros, e o de 16 A tem menos chance de desarmar na partida.
Onde as tomadas da casa são 127 V, os 220 V do ar chegam por duas fases (preta e vermelha) e o disjuntor tem de ser bipolar, para cortar as duas juntas. Em cidades com rede 220/380 V, em que a tomada comum já é 220 V, o circuito é fase + neutro e o disjuntor pode ser monopolar.
| Inverter | Convencional | |
|---|---|---|
| Potência elétrica nominal | 800 W | 850 W |
| Corrente máxima típica | 6 A | 5 A |
| Corrente de projeto (× 1,25) | 7,5 A | 6,3 A |
| Disjuntor curva C | bipolar 10 A | bipolar 10 A |
| Cabo (3 condutores) | 2,5 mm² | 2,5 mm² |
| DR de 30 mA | 25 A | 25 A |
| Esse cabo vale | até 60 m ou mais | até 60 m ou mais |
| Consumo com 8 h/dia | 36 kWh/mês | 72 kWh/mês |
| Custo por mês (R$ 1,07/kWh) | R$ 38,27 | R$ 76,55 |
Valores típicos de fichas técnicas; a corrente máxima varia por modelo. Consumo pela etiqueta do Inmetro (kWh/ano ÷ 2.080 h × horas de uso).
Fio de 2,5 mm² em qualquer distância (e por que não 1,5 mm²)
Aqui a distância quase não pesa. A corrente é tão baixa que o 2,5 mm² mantém a queda de tensão abaixo de 4% além de 60 m: a 50 m ela fica em 2,6% no inverter. Quem decide o tamanho do cabo é a seção mínima da norma, não o comprimento.
| Distância | Cabo a comprar (cada condutor) | Inverter (10 A) | Convencional (10 A) |
|---|---|---|---|
| 5 m | 7 m | 2,5 mm² · 0,3% | 2,5 mm² · 0,2% |
| 10 m | 12 m | 2,5 mm² · 0,5% | 2,5 mm² · 0,4% |
| 15 m | 18 m | 2,5 mm² · 0,8% | 2,5 mm² · 0,7% |
| 20 m | 23 m | 2,5 mm² · 1% | 2,5 mm² · 0,9% |
| 25 m | 29 m | 2,5 mm² · 1,3% | 2,5 mm² · 1,1% |
| 30 m | 34 m | 2,5 mm² · 1,6% | 2,5 mm² · 1,3% |
| 40 m | 45 m | 2,5 mm² · 2,1% | 2,5 mm² · 1,7% |
| 50 m | 56 m | 2,5 mm² · 2,6% | 2,5 mm² · 2,2% |
Circuito sozinho no eletroduto, até 30 °C. O disjuntor não muda com a distância; só o cabo. Metros de cabo = distância + 10% + 1 m para as ligações.
Exemplo: ar de 9.000 BTU/h em 220 V
Exemplo resolvido
Split inverter de 9.000 BTU/h em 220 V fase + neutro, apartamento com 14 m de eletroduto
Apartamento numa cidade com rede 220/380 V (como Fortaleza, Brasília ou Florianópolis), onde as tomadas comuns já são 220 V: o ar usa uma fase e o neutro. Quadro na entrada, quarto no fim do corredor, eletroduto embutido com 14 m até a condensadora na área técnica.
- Corrente máxima típica de um inverter de 9.000 BTU/h em 220 V: 6 A.
- Corrente de projeto: 6 × 1,25 = 7,5 A.
- Disjuntor: o primeiro valor comercial acima de 7,5 A é 10 A, curva C, monopolar, ligado na fase (o neutro passa pelo DR e vai ao barramento de neutro).
- Cabo: a seção mínima para força, 2,5 mm², aguenta 24 A, acima dos 10 A do disjuntor.
- Queda de tensão a 14 m: 0,7% (limite: 4%).
- Cabo a comprar: 14 m + 10% + 1 m = 17 m de cada condutor.
Compre 17 m de cabo 2,5 mm² preto, 17 m azul-claro (neutro) e 17 m verde, um disjuntor monopolar de 10 A curva C e um DR bipolar de 25 A e 30 mA.
Inverter ou convencional de 9.000 BTUs: a diferença na conta
No mesmo uso, o inverter de 9.000 BTU/h custa cerca de metade do convencional: R$ 38,27 contra R$ 76,55 por mês com 8 horas por dia e a tarifa média de R$ 1,07 por kWh. Em um ano a diferença chega a R$ 459,28, valor que vale comparar com a diferença de preço entre os dois na loja.
| Uso por dia | Inverter | Convencional | Diferença no ano |
|---|---|---|---|
| 4 h | 18 kWh · R$ 19,14 | 36 kWh · R$ 38,27 | R$ 229,64 |
| 6 h | 27 kWh · R$ 28,70 | 54 kWh · R$ 57,41 | R$ 344,46 |
| 8 h | 36 kWh · R$ 38,27 | 72 kWh · R$ 76,55 | R$ 459,28 |
| 10 h | 45 kWh · R$ 47,84 | 89 kWh · R$ 95,68 | R$ 574,10 |
| 12 h | 54 kWh · R$ 57,41 | 107 kWh · R$ 114,82 | R$ 688,92 |
Bandeira verde, tarifa de R$ 1,07/kWh com tributos.
Com a tarifa da sua conta: consumo do ar-condicionado de 9.000 BTUs.
Comparação com as capacidades vizinhas
O 9.000 e o 12.000 BTU/h em 220 V usam o mesmo material: cabo de 2,5 mm², disjuntor de 10 A e DR de 25 A. Entre eles muda a conta de luz (48 contra 36 kWh por mês no inverter). Já o mesmo 9.000 BTU/h em 127 V vai para disjuntor de 16 A.
| Aparelho | Corrente máxima | Disjuntor | Cabo | Consumo 8 h/dia |
|---|---|---|---|---|
| 9.000 BTU/h · 127 V | 10,4 A | 16 A | 2,5 mm² | 36 kWh/mês |
| 9.000 BTU/h · 220 V (esta página) | 6 A | 10 A | 2,5 mm² | 36 kWh/mês |
| 12.000 BTU/h · 127 V | 13 A | 20 A | 2,5 mm² | 48 kWh/mês |
| 12.000 BTU/h · 220 V | 7,5 A | 10 A | 2,5 mm² | 48 kWh/mês |
| 18.000 BTU/h · 220 V | 11 A | 16 A | 2,5 mm² | 72 kWh/mês |
Outras capacidades e o cálculo pela etiqueta: fio e disjuntor do ar-condicionado. Regra de qualquer circuito: guia de bitola de fio e disjuntor.
Cuidados com este circuito
Fontes
- ABNT NBR 5410:2004 (versão corrigida 2008) — Instalações elétricas de baixa tensão
- ABNT NBR NM 280 — Condutores de cabos isolados (IEC 60228)
- ABNT NBR NM 60898 — Disjuntores para proteção de sobrecorrentes
- Inmetro — Portaria nº 269/2021, condicionadores de ar
- ANEEL — Bandeiras tarifárias
- Fichas técnicas e manuais de splits vendidos no Brasil